F1 pode cancelar GPs no Oriente Médio e reduzir calendário para 22 corridas

Bahrein e Arábia Saudita podem sair do calendário da temporada de 2026

Março 6, 2026 - 18:22
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F1 pode cancelar GPs no Oriente Médio e reduzir calendário para 22 corridas

Os Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita dificilmente serão substituídos no calendário da Fórmula 1 caso, como parece provável no momento, sejam cancelados devido ao conflito no Oriente Médio.

Múltiplas fontes de alto escalão no paddock da categoria disseram à Reuters nesta sexta-feira (6) que reduzir o campeonato mundial das 24 etapas originalmente previstas para 22 corridas é o cenário mais provável.

A corrida noturna do Bahrein, disputada sob luzes no circuito de Sakhir, ao sul de Manama, está programada para 12 de abril. Já a prova da Arábia Saudita, em Jeddah, está marcada para o fim de semana seguinte.

A MotoGP também tem corrida prevista no circuito de Lusail, no Catar, próximo a Doha, no dia 12 de abril, mas a categoria afirmou que a realização da etapa nessa data parece muito difícil, com poucas chances de transferência para outro local.

Já a etapa do Campeonato Mundial de Endurance (WEC), programada para Doha entre 26 e 28 de março, foi adiada.

Catar, Arábia Saudita e Manama, capital do Bahrein, foram alvos de mísseis e drones iranianos — incluindo um hotel atingido nesta última cidade — após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Grandes aeroportos da região, importantes centros de conexão para viajantes internacionais, seguem fechados.

Remarcar as corridas da Fórmula 1 nos mesmos locais mais tarde no ano seria extremamente difícil, já que as temperaturas na região são muito mais elevadas durante o verão e o outono europeus.

Também não há lacunas evidentes no calendário, uma vez que a Fórmula 1 pretende manter a pausa de agosto e reduzir a carga de trabalho das equipes.

Embora alguns circuitos tenham sido citados pela imprensa como possíveis substitutos — como Imola, na Itália, Le Castellet, na França, Portimão, em Portugal, e Istambul Park, na Turquia — a realidade prática de deslocar toda a estrutura da categoria em curto prazo representa um enorme desafio logístico.

Além disso, haveria pouco incentivo para os promotores assumirem a organização, já que o prazo para vender ingressos e cobrir as taxas de sediar a prova seria reduzido. A preparação de fiscais de pista, segurança e logística de transporte também exige tempo.

Realizar uma segunda corrida no circuito de Suzuka, no Japão, após a terceira etapa da temporada — outra opção sugerida — criaria novos problemas. Os proprietários da pista, a Honda, também teriam pouco interesse em destacar ainda mais suas próprias dificuldades com motores, especialmente com a Aston Martin.

Durante a pandemia de Covid-19, corridas foram realizadas sem público em circuitos substitutos, com algumas pistas recebendo duas provas consecutivas. Naquele momento, porém, havia uma necessidade urgente de completar a temporada.

Um calendário reduzido de 22 corridas — ainda assim longo em comparação com muitos campeonatos do passado — permitiria cumprir obrigações comerciais, mesmo que reduzisse as receitas totais da Fórmula 1.

As corridas do Oriente Médio representam uma parte importante das receitas da Fórmula 1, mas Bahrein e Arábia Saudita também têm vínculos mais profundos com o esporte. O Bahrein é proprietário da equipe campeã McLaren, enquanto a Arábia Saudita atua como patrocinadora e investidora.

Quando o Grande Prêmio do Bahrein foi cancelado em 2011 devido a protestos no país, ele não foi reagendado após equipes se oporem a uma nova data no fim de outubro.

“Queremos que nosso papel na Fórmula 1 continue sendo tão positivo e construtivo quanto sempre foi. Portanto, no melhor interesse do esporte, não vamos insistir em reagendar uma corrida nesta temporada”, afirmou na época o presidente do circuito, que posteriormente se tornou ministro do governo.

O então chefe comercial da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, disse posteriormente que o Bahrein pagou a taxa de realização da corrida mesmo assim.

O atual diretor-executivo da Fórmula 1, Stefano Domenicali, e Mohammed Ben Sulayem, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), afirmaram que a segurança é a prioridade.

“Não queremos fazer nenhuma declaração hoje porque a situação está evoluindo e ainda temos tempo para tomar a decisão correta. Essa decisão será tomada em conjunto”, disse Domenicali à Sky Sports, em Melbourne.

O dirigente italiano deve se reunir com chefes de equipes da Fórmula 1 no sábado (7).

“É o primeiro encontro de todas as equipes. Houve muito pouca comunicação sobre a situação até agora, principalmente pelo esforço necessário para todos chegarem à Austrália”, afirmou Zak Brown, chefe da McLaren.

O chefe da Mercedes, Toto Wolff, disse aos jornalistas: “Espero muito que possamos correr. É realista que corramos lá neste momento? Não tenho tanta certeza”.

Embora a Fórmula 1 ainda tenha algum tempo antes de tomar uma decisão final, outros prazos importantes estão se aproximando.

A Fórmula 2, categoria de acesso à Fórmula 1, também disputa a primeira etapa da temporada neste fim de semana na Austrália. Em seguida, os equipamentos deveriam ser enviados de avião para o Bahrein na segunda-feira, para um teste marcado entre 25 e 27 de março, em Sakhir.

Uma fonte de alto escalão no paddock da Fórmula 2 afirmou que as equipes ainda aguardam esclarecimentos, mas já esperam que tanto o teste quanto a corrida sejam cancelados, possivelmente com um anúncio ainda neste fim de semana.

Caso as etapas da Fórmula 2 no Bahrein — no mesmo fim de semana da Fórmula 1 — e na Arábia Saudita sejam canceladas sem substituição, a segunda corrida do campeonato só aconteceria em Mônaco, em junho.

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