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Política na escalada: A política deve se misturar com a escalada e montanhismo? – Revista Blog de Escalada

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Está na hora de falarmos sobre política na escalada. Muitos escaladores e montanhistas possuem ojeriza de política e, por causa disso, acabam perdendo relevância e visibilidade perante o poder público. Para demonstrar o sentimento de repulsa, sobretudo os mais leigos no assunto, estas pessoas repetem como um mantra várias frases feitas e perpetuam preconceitos a respeito do assunto.
Com o tempo, sobretudo para os que se consideram mais esclarecidos, estes mesmos escaladores e montanhistas entendem que o uso da política, da conversação e da negociação são essenciais para que pendências entre diversos interesses sejam equacionadas, ou pelo menos equiparadas, tendo como objetivo interesses em benefícios comuns e recuos necessários para o entendimento.
Sendo assim a abertura, o mantenimento ou a reabertura de locais de prática de trekking e escalada dependem de política entre os praticantes e os proprietários ou o poder público. Não tem jeito, é assim que funciona pois vivemos em uma sociedade.
Lembrando que o acordo entre indivíduos para se criar uma sociedade é um pacto de associação, e não de submissão. Para não sermos sempre submissos, precisamos de ser representados.
Foto: Markus Spiske | Unsplash
Basta olhar para o mundo ao seu redor para perceber como a última década, o clima de convivência entre as pessoas de pensamentos distintos se deteriorou. O pacto social está sendo colocado em segundo plano. A falta de ética, decoro, educação e até mesmo de capacidade de políticos e dirigentes de entidades esportivas fez com que ninguém se sentisse representado mais.
A terra de ninguém que virou a política no Brasil, em todas as esferas (incluindo aí até mesmo a sua família), ampliou as divergências de pensamentos a abismos pessoais quase intransponíveis. Pessoas de todo o país começaram a reconsiderar seus laços com pessoas que apoiavam ideias distintas.
O seu adversário, ou mesmo um rival, passou a ser o seu inimigo. Inegavelmente as eleições e escolhas políticas de todos os lados dividiram amargamente grande parte do país.
A atmosfera de animosidade disso tudo pode ser sentida nessa eleição de 2022, que tomou ares de um plebiscito para escolher entre democracia e um outro regime diametralmente oposto.
No meio disso tudo repare que não há quase nenhum candidato disposto a abraçar de maneira explícita, em suas propostas, pautas como manutenção de trilhas, racionalização de visitantes em Áreas de Proteção Ambiental, Governança e responsabilidade em Federações, Associações e Ligas Independentes.
Atualmente, em praticamente todo território nacional, se um local de escalada for fechado, uma entidade de classe (como uma federação, associação ou Liga independente) possui escândalo de corrupção ou má administração, uma trilha for interditada, não temos um (a) parlamentar quem nos represente ao poder público (município, estado ou governo federal) e que leve a discussão para um público maior.
Foto: Heather Mount | Unsplash
O maior clichê de um escalador ou montanhista é repetir a todo momento que “não é um esporte, é um estilo de vida”. Basta passear em qualquer local de escalada, indoor ou outdoor, ou uma trilha para escutar esta afirmação.
Mas para que seu “estilo de vida” seja respeitado por muitos, ou mesmo não seja proibido por algum preconceito social, é necessário que não sejamos invisíveis ao poder público.
Entretanto, sem representantes políticos na esfera parlamentar somos invisíveis. Não há reconhecimento pela sociedade e pelos governos em qualquer esfera, muito menos incentivo, ao esportes como montanhismo ou mesmo a escalada.
Do desejo de criar alguma representatividade há no Brasil o que é autointitulado “Montanhismo organizado”, que são as federações, associações, confederações e ligas independentes. Mas estas mesmas entidades de classes não possuem um parlamentar que seja seu ponto focal, para que seja a sua voz no poder público e, em caso de algum conflito, sejam convocadas por ele a ajudar em alguma defesa ou divulgação.
Para a eleição de 2022 o Brasil tem cerca de 156 milhões de eleitores aptos a votar em 2 de outubro. São homens e mulheres, de todas as classes sociais e idade variável. Já pensou que se boa parte destes eleger um parlamentar que possui preconceito com escaladores e montanhistas e o esporte acabar até mesmo sendo proibido?
Parece absurdo? Lembre-se que isso já aconteceu com o Skate no início da década de 1990.
Há pouco tempo, na última eleição para ser mais exato, parecia ridícula a ideia de que teríamos um presidente com ideias nazifascistas, discursos inspirados na plataforma de Hitler e Mussolini e total falta de postura e decoro por quem deveria nos representar perante o mundo. No entanto, olha como nos vemos hoje.
Portanto, reflita seriamente sobre política na escalada e se já possui um candidato a deputado estadual, deputado federal e senador que possa representar o seu esporte. Já passou a época que escaladores eram um bando de indivíduos dividindo o mesmo esporte, precisamos de ser representados por algum parlamentar.
Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha, México e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias. Em 2018 foi o único latino-americano a cobrir a estreia da escalada nos Jogos Olímpicos da Juventude e tornou-se o primeiro cronista esportivo sobre escalada do Jornal esportivo Lance! e Rádio Poliesportiva.

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